Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124

Esta é a terceira de quatro edições da newsletter Guia de Beleza Negra. Quer receber as próximas no seu email? Inscreva-se abaixo:
É fundamental discutir a pressão estética, a ditadura da beleza e os padrões inalcançáveis impostos às mulheres. Usar maquiagem, passar um batom vermelho ou adotar determinada aparência —seja ela elegante, sensual ou natural— deveria ser sempre uma escolha individual.
Quando se trata de mulheres negras, porém, a conversa parte de outro lugar: por anos não tivemos a opção de usar base, corretivo e pó a preços acessíveis —sobretudo se o desejo fosse por uma maquiagem no nosso tom, com subtom e profundidade corretos, sem acinzentar a pele ou criar um aspecto de máscara, que contrasta com o pescoço.
Nos últimos anos, o mercado de beleza mudou. Embora marcas nacionais já ensaiassem ampliar a variedade de tons para pele escura em sua cartela de cores, foi o lançamento da marca Fenty Beauty que mudou os rumos da indústria.
A marca da Rihanna foi lançada em 2017 com o objetivo de promover mais inclusão na indústria da beleza, e desde o início ficou conhecida por sua ampla cartela de cores de base —eram 40 tons no início e, hoje, são 50.
A iniciativa, que ganhou ampla visibilidade por causa da fama e influência da cantora, forçou outras empresas a repensarem a oferta de cores, investirem em diversidade e buscarem uma comunicação direta com mulheres negras.
Hoje temos uma gama de cores mais acessível e diferentes opções para testar. Isso permite olhar com mais critério para durabilidade, tipo de acabamento e outros aspectos, para além da cor. Vem comigo que te ajudo a conhecer esse novo mundo.
Segundo o maquiador e caracterizador Ale de Souza, os produtos se dividem em três tons, definidos a partir da quantidade de melanina presente na pele: claro, médio e escuro.
↳ Algumas marcas optam por subdividir a categoria do meio entre “médio claro” e “médio escuro”.
Cada uma dessas categorias é então subdividida em tonalidades, também chamadas de subtons: frios, quentes, neutros e olivas.
O subtom frio tem um fundo azulado, rosado ou avermelhado, enquanto o quente é amarelado. Já o neutro é o equilíbrio entre quente e frio. O oliva, menos conhecido, é um pouco mais esverdeado.
↳ Peles com subtom oliva podem parecer quentes em um primeiro momento. “A pele oliva é conhecida como falsa quente, mas uma base com esse subtom [quente] cria uma aparência amarelada. Ao contrário do que parece, ela se harmoniza melhor com cores frias ou neutras”, conta o maquiador.
Testando. Há quem diga que peles de subtom quente ficam melhor com acessórios dourados, enquanto as frias combinam com o prata e o neutras, com os dois. Mas a dica pode gerar confusão. Especialistas, como maquiadores e consultores de imagem, podem te ajudar com assertividade.
O que acontece se eu uso uma base com um subtom errado? Provavelmente, terá uma sensação de desarmonia. Efeitos como o de “máscara” podem aparecer, indicando que o tom ou subtom estão inadequado para sua pele.
Segundo a maquiadora Katia Celene Araujo, o primeiro passo para fazer o teste de cor é estar com a pele bem hidratada. “Muda a reflexão de luz e, consequentemente, a resposta de tom e subtom de uma pele negra”, diz.
Para o maquiador e escritor Tássio Santos, o melhor método é testar direto no rosto, onde será possível avaliar se o produto tem um tom fiel ao que você procura. “Esquece o pulso ou a mão”, afirma.
Também vale prestar atenção nas diferentes partes do rosto. A pele negra costuma ter tons variados, com algumas áreas mais claras e outras mais escuras. “A base tem que ‘conversar’ com todas essas partes, além de combinar com o pescoço e o colo, para não ficar marcado”, orienta Tássio.
Veja algumas dicas para o teste:
Nem só base se faz uma boa maquiagem de pele, então vamos relembrar as funções dos outros produtos:
Corretivo: disfarça olheiras, manchas e outras imperfeições.
Contorno: define traços criando pontos de profundidade em regiões como maxilar, lateral do nariz e têmporas. Costuma ter um tom mais escuro que a base e subtom mais frio.
Iluminador: destaca traços criando pontos de luz, como nas maças do rosto, ponta do nariz e arco do cupido.
Bronzer: cria efeito de bronzeamento em áreas que poderiam ter sido expostas ao sol. Costuma ter um fundo mais quente que o subtom da pele.
Blush: adiciona cor e destaca volume em regiões como a bochecha. Pode ser usado em tons de rosa, vermelho, vinho e até laranja.
Pó: sela a maquiagem e garante maior durabilidade.
Embora tenha crescido a oferta de produtos para a pele negra, no caso de contornos e bronzers ainda há escassez. Quanto mais retinta a pele, mais difícil encontrar uma cor que funcione. Outro problema é o efeito acinzentado produzido por esse tipo de produto, devido à escolha de pigmentos com o fundo branco, que contrasta com a pele retinta.
Para Tássio Santos, a ausência de tons adequados para todas as cores de pele mostra como a indústria da beleza ainda trata a diversidade como um detalhe, não como prioridade.
“A falta de tons adequados manda uma mensagem subliminar dolorosa: que peles mais escuras não merecem a mesma atenção, cuidado e variedade que as claras. É uma forma sutil, mas poderosa, de racismo que afeta a autoestima e a forma como as pessoas negras se veem no mundo”, afirma.
Uma pesquisa Datafolha inédita, parte da série Afeto em Preto e Branco, mostra que 60% das mulheres autodeclaradas pardas e 58% das pretas se consideram atraentes. Mais do que se adequar a determinado padrão ou usar certos tipos de produtos, autoestima tem a ver com saúde física, relações saudáveis e conexão com a sua negritude.
Seguir pessoas parecidas com você nas redes sociais, conviver com outras mulheres negras e se inspirar nelas pode fazer com que você se ame mais. Cuidar da saúde mental é importante!
Algumas marcas têm um provador virtual para te ajudar a encontrar seu tom de base. O ideal nesses casos também é fazer o teste com o rosto limpo e de frente para a luz natural.
Existem ainda sites onde é possível encontrar equivalência entre a tonalidade de uma marca que você conhece e uma que deseja experimentar. É o caso do findation.com, que funciona como uma ferramenta de correspondência de cores. O projeto foi lançado em 2012 e possui um banco de dados global com tons de diversas marcas de base.
↳ A partir de duas bases que você já usou, a ferramenta sugere outras marcas com cores semelhantes às que você forneceu.