Governistas criticam Tarcísio por fala sobre Coca-Cola – 07/10/2025 – Equilíbrio e Saúde

Parlamentares da base do governo Lula (PT) e um de seus ministros criticaram o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) por ter dito que se preocuparia com a falsificação de bebidas quando ela atingisse a Coca-Cola, em meio à crise de intoxicação por metanol por meio de bebidas alcoólicas contaminadas.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (6), Tarcísio disse, em tom de brincadeira que não iria “se aventurar” a comentar sobre bebidas alcoólicas. “Não vou me aventurar aqui nessa área [de bebidas alcoólicas], que não é minha praia, está certo? No dia em que começarem a falsificar a Coca-Cola, eu vou me preocupar”, disse, acrescentando que consome a normal e não a zero.

Nas redes sociais, além dos congressistas, outros usuários também comentaram negativamente a declaração. Após repercussão negativa, Tarcísio foi às redes sociais na noite desta terça-feira (7) pedir desculpas pela “colocação inoportuna”.

“Governar é trabalhar todos os dias, enfrentar grandes desafios, dar o nosso melhor e saber reconhecer quando erramos. Peço perdão pela colocação inoportuna neste momento e seguirei me dedicando ao máximo para cuidar das pessoas com dignidade e compromisso, como sempre fiz em toda a minha vida”, escreveu o governador.

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), classificou a declaração como “um deboche com todas as vítimas, seus familiares e prejuízos causados por essa ação criminosa, que o governador sabe-se lá porque já descartou ser do crime organizado”, escreveu na redes sociais.

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), cotado para ocupar um ministério, comparou a declaração de Tarcísio com fala de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19: “E daí? Eu não sou coveiro”.

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) fez a mesma associação. “É inconcebível que alguém trate isso como piada ou desdém, enquanto vidas são ceifadas”, afirmou nas redes.

Erika Hilton (PSOL-SP) disse que não tem palavras para descrever como se sentiu ao ver tal fala. “Há paulistas perdendo a visão, a vida ou sofrendo sérios danos à saúde por conta dessa crise no nosso estado. Mas o foco de Tarcísio é, por algum motivo, negar o envolvimento do crime organizado e tirar sarro do sofrimento das vítimas do metanol“, criticou.

Ela destacou também que o estado não tem “um plano de ação e comunicação para que a população não beba”.

Outros parlamentares que criticaram a declaração incluem os deputados federais Ivan Valente (PSOL) e Orlando Silva (PCdoB), que consideraram inaceitável a fala do governador enquanto pessoas estão sendo envenenadas. Marcelo Freixo, presidente da Embratur e filiado ao Partido dos Trabalhadores, também se manifestou em vídeo: “Falta seriedade. Falta compaixão. Sobra oportunismo. Com vidas não se brinca”.

Já os aliados de Tarcísio têm tratado como exagerada a repercussão negativa sobre a fala, em especial as comparações com a postura do governo Bolsonaro durante a pandemia.

Para eles, não houve indicativo de descaso com a situação do metanol, embora tenham admitido que, por causa do pânico na população, não é o momento para fazer brincadeiras. Um auxiliar do governo paulista ouvido pela Folha disse, sob reserva, que Tarcísio não mediu o impacto de sua fala e que ela fugiu ao roteiro.

Ainda segundo este auxiliar, a piada foi uma forma espontânea de tentar aliviar a tensão, já que ele gosta muito de Coca-Cola e o consumo do refrigerante é alvo de brincadeiras no Palácio dos Bandeirantes.

Nesta terça-feira (7), a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo atualizou os números relacionados à intoxicação por metanol. Até o momento, são 176 casos notificados, sendo 18 confirmados e 158 ainda em investigação. Em relação aos óbitos, são 10 no total, com três confirmados e sete sob análise.

O balanço também inclui 85 casos já descartados. Apenas hoje, 38 novas notificações foram descartadas após análises clínicas e epidemiológicas, enquanto outras 35 passaram a integrar a lista de casos em investigação.

Em nota, o governo estadual afirmou que as investigações dos casos têm sido conduzidas com “absoluto rigor e responsabilidade” e que mantém o foco em salvar vidas e impedir a intoxicação da população.

“Desde os primeiros casos, o governador Tarcísio de Freitas coordena pessoalmente o gabinete de crise, que integra as áreas de investigação criminal, controle sanitário e atendimento de saúde às vítimas”, diz o texto.

A nota ressaltou ações do governo estadual, como a distribuição “de 2.500 ampolas de álcool etílico absoluto à rede pública de saúde, garantindo resposta imediata e padronizada às emergências”, a apreensão de 16 mil garrafas, a prisão de 21 pessoas e a interdição de 11 estabelecimentos cautelarmente.

“A politização do tema é inoportuna e não contribui para a solução e a proteção das pessoas. O Estado seguirá com seriedade e firmeza até que todos os responsáveis sejam punidos”, acrescenta o governo.

Autoria: FLSP

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