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Recentemente você deve ter visto uma explosão do termo metanol em jornais, programas e redes sociais. Em meio aos importantes alertas sobre intoxicação pela substância no Brasil —até este sábado (4), passam de cem os casos confirmados e suspeitos notificados—, vale diferenciarmos um pouco os tipos mais comuns de álcool com os quais estamos acostumados no nosso dia a dia.
Para isso, falamos com o pesquisador Flávio Maron Vichi, do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo).
Abaixo, entenda quais são as diferenças entre os principais tipos de álcool, como surgiram e para que são utilizados.
Composição
C2H5OH
Como é produzido?
O etanol é um dos álcoois mais comuns que temos —assim como os demais que veremos a seguir. É obtido a partir de fermentação
Esse álcool é produzido especialmente a partir de cana-de-açúcar e milho.
Usualmente, usa-se destilação para a produção, o que permite a separação das substâncias a partir de diferentes volatilidades presentes —com a evaporação de uma parte da mistura.
Desde quando é produzido?
É conhecido desde a Antiguidade, considerando que é produto de fermentação do açúcar em frutas. Artefatos pré-históricos mostram sinais de bebidas alcoólicas por povos neolíticos.
Há referências à destilação na época de Hipócrates. Mas o método ganhou mais corpo durante a Idade Média.
O etanol puro só foi sintetizado de forma não intencional em 1825 pelo físico e químico britânico Michael Faraday (1791-1867), enquanto ele tentava fazer outra coisa, segundo Vichi.
Durante a história da humanidade, quando se perceberam os possíveis usos do etanol, passou-se a buscar o etanol puro.
“Mas é muito difícil conseguir ele 100%. Ele tem uma afinidade muito grande pela água”, afirma o pesquisador. “Ele não tinha muita função como coisa pura. Mesmo hoje a gente usa muito pouco etanol puro. O álcool hidratado que a gente coloca no carro tem 20% de água. Etanol puro é bastante corrosivo para o motor, por exemplo.”
Isso sem contar a documentação de outros animais, como chimpanzés, consumindo frutas que, por fermentação, apresentam teor alcoólico.
Para que é usado?
Etanol é uma palavra que costumamos ouvir com alguma frequência no dia a dia. É comum ouvir sobre etanol, por exemplo, associado a biocombustíveis —no Brasil, especialmente associado à cana-de-açúcar. Também é usado como aditivo para combustíveis.
É utilizado ainda na indústria farmacêutica e de saúde, como desinfetante.
A indústria de bebidas é outra na qual a substância é importante.
Quão tóxico é?
É um depressor do sistema nervoso central, portanto, é uma droga psicoativa que pode causar dependência.
Composição
CH3OH
Como é produzido?
O metanol atualmente é obtido a partir do gás natural metano (CH4).
Ele está presente em pequenas quantidades no nosso organismo, como um resultado do metabolismo da pectina de frutas, de acordo com Vichi.
Desde quando é produzido?
O metanol era uma substâncias usadas pelos egípcios para mumificação, segundo o pesquisador da USP. Inicialmente usava-se a destilação seca da madeira para obtenção de uma mistura rica em metanol.
A obtenção da substância de forma isolada ocorreu em 1661 pelo químico irlandês Robert Boyle (1627-1691).
Para que é usado?
O metanol pode até ser usado como combustível, mas tem menor densidade energética que a do etanol, sendo capaz, dessa forma, de produzir menos energia para a mesma quantidade de substância.
Na indústria, é usado como precursor para outras substâncias. O grupo OH da substância pode ser substituído por outro, como aminas, por exemplo, levando à formação de metilamina, usada em fertilizantes, plásticos, produtos farmacêuticos e outros.
“Por ser uma substância com apenas um átomo de carbono, ele e seus derivados podem funcionar como blocos de construção de moléculas maiores”, afirma Vichi.
Quão tóxico é?
A substância é altamente tóxica para humanos, com pequenas quantidades (cerca de 10 mL) já podendo causar cegueira.
“O metanol é metabolizado a ácido fórmico no organismo, e este inibe o funcionamento das mitocôndrias, causando a morte celular por falta de oxigênio”, diz Vichi.
Apesar de ter um cheiro diferente do etanol, não é possível perceber a diferença em uma bebida adulterada com metanol. “As substâncias puras têm cheiros bastante diferentes. Quando coloca na bebida, aí você não vai perceber mesmo.”
Composição
CH₃CH₂CH₂OH
O propanol têm dois isômeros, ou seja, compostos que possuem a mesma fórmula mas com estruturas diferentes.
Álcool n-propílico ou 1-propanol, com o grupo OH (trata-se do grupo hidroxila, que caracteriza álcoois) ligado a um carbono terminal.
Álcool isopropílico ou 2-propanol, com grupo OH ligado ao carbono central. Este é o tipo mais utilizado.
Como é produzido?
O propanol é produzido pela hidratação de propeno ou pela hidrogenação de acetona.
Desde quando é produzido?
Ele foi sintetizado pela primeira vez em 1853, pelo químico inglês Alexander William Williamson (1824-1904).
Para que é usado?
Segundo Vichi, o propanol tem largo uso como solvente na indústria química, por sua capacidade de dissolver substâncias polares e apolares.
Além disso, tal qual o etanol no Brasil tem uso como desinfetante, nos Estados Unidos e na Europa o propanol também ganha tal uso.
Quão tóxico é?
Apesar de mais tóxico do que o etanol, o álcool isopropílico é muito menos tóxico que o metanol, afirma Vichi.