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Quando Paulo (nome fictício), 49, decidiu fazer um procedimento estético, ele estava passando por um processo recente de término de relacionamento. “Eu malho todo dia, cuido da minha saúde e faço questão de manter uma aparência legal, mas eu estava inseguro com essa nova fase. A harmonização me ajudou”, disse.
Ele conta que o resultado foi tão satisfatório e que já estava tão acostumado com esse “novo normal” que decidiu repetir o procedimento em menos de dois anos.
Mas a harmonização feita por Paulo foge dos lugares mais comuns, como mandíbula, nariz ou lábios. Ele apostou na harmonização peniana, um procedimento que vem ganhando popularidade em clínicas estéticas e consultórios de urologistas.
“Tive uma leve ansiedade na primeira vez, mas o procedimento foi muito tranquilo, sem dor. Fez uma super diferença na praia. [Minhas parceiras] piraram, elas curtem, mas não sabem que coloquei o ácido [hialurônico]. Não conto para elas que fiz. Acham que é natural“, afirma.
A harmonização peniana é um procedimento puramente estético que busca aumentar o diâmetro do pênis, ou seja, o volume e a circunferência, por meio da aplicação de ácido hialurônico —a mesma substância utilizada em preenchimentos faciais, mas em formulações específicas para a área genital.
Especialistas ouvidos pela Folha, que realizam o procedimento, concordam que esse tipo de harmonização é seguro se feito por profissionais treinados, mas alertam que, se mal feito, pode haver complicações sérias, incluindo desproporcionalidades no órgão, infecções, reações alérgicas e até necrose, que é a morte do tecido, podendo levar a danos graves, como a amputação do pênis.
“É um procedimento seguro desde que feito por alguém treinado, principalmente médicos urologistas, que conhecem bem a vascularização e nervos do órgão, o que minimiza os riscos. A anatomia peniana é delicada, e um erro pode levar a sérios danos”, afirma Valter Cassão, urologista do Hospital Nove de Julho.
O ácido hialurônico utilizado é específico para a área corporal, com propriedades que permitem boa firmeza e durabilidade, adaptadas para respeitar a ereção e atividade sexual.
A aplicação ocorre com o pênis flácido e com anestesia local, por meio de injeções em pontos estratégicos para garantir uma distribuição homogênea e evitar deformidades.
“É possível aumentar a circunferência em 3 a 4 centímetros e o comprimento em 2 a 3 centímetros, mas o foco principal é o aumento do volume”, diz Cassão.
Após o procedimento, o resultado demora alguns minutos para ser notado. O paciente deve evitar atividade sexual, banhos e ambientes quentes, como saunas, por um período de três a quatro dias para não haver deformidades no pênis.
O efeito dura em média entre 12 a 18 meses, quando o ácido começa a ser gradualmente absorvido. A reaplicação é comum para manter os resultados.
Caso haja insatisfação, é possível reverter o efeito com a enzima hialuronidase, que dissolve o ácido, embora este processo cause um inchaço temporário.
Segundo Mariana Éclissée, biomédica especialista em harmonização íntima, o volume aplicado varia conforme o objetivo do paciente e as características anatômicas.
“Aplico entre 5 e 10 ml para retoques e correção de pequenas irregularidades, de 10 a 20 ml para um aumento moderado, e entre 20 e 30 ml para um aumento expressivo no volume. A aplicação de mais de 30 ml já eleva o risco de complicações”, explica Eclissée.
Os valores do procedimento variam de acordo com a quantidade aplicada e a marca do produto. Alguns profissionais precificam a partir da quantidade usada, variando entre R$ 400 e R$ 800 por ml. Outros costumam cobrar a partir de R$ 10 mil para realizar a harmonização.
O urologista Leonardo Seligra, professor do FMABC (Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC), afirma que nem todo tipo de pênis suporta um aumento de até 4 centímetros.
“Na maioria dos casos, o procedimento pode resultar em um aspecto disforme, dependendo do tamanho do pênis do paciente. Mas há situações em que o procedimento é realmente indicado. Quando o paciente tem o pênis um pouco mais fino, ele se torna um ótimo candidato”, afirma.
É consenso entre os especialistas que a harmonização peniana não tem qualquer efeito sobre funções sexuais, como a disfunção erétil, falta de desejo ou ejaculação precoce. Todos reforçam a importância de uma avaliação detalhada, que inclui a análise psicológica do paciente.
Não é um procedimento que a gente tem que aceitar simplesmente porque o paciente pede. É necessária uma avaliação prévia
“Algumas pessoas podem apresentar transtorno dismórfico corporal, um problema psicológico em que o indivíduo tem uma percepção distorcida da própria imagem. Para esses pacientes, qualquer procedimento estético, seja no pênis, orelhas, nariz ou abdômen, está contraindicado, pois o transtorno pode levar à insatisfação mesmo após a intervenção”, diz Seligra.
Éclissée conta que toma o mesmo cuidado. Ela recebe cerca de 20 pacientes por mês interessados no procedimento, mas realiza a harmonização em apenas dois ou três deles, pois nem todos precisam. Ela prioriza alinhar as expectativas e atende apenas quem tem critérios adequados.
“Primeiro observo a situação da saúde do paciente e qual o cuidado que ele realmente tem no dia a dia. E observo principalmente a expectativa dele. Se ele tiver uma expectativa muito além do que eu consigo entregar, não faço”, diz.
Com ela concorda Ariê Carneiro, urologista do Einstein Hospital Israelita, que não realiza o procedimento. Ele alerta que a harmonização deve ser feia em pacientes muito bem avaliados, inclusive psicologicamente, pois geralmente não há indicação médica além da estética.
Segundo Carneiro, do ponto de vista clínico, a maioria dos homens tem pênis funcional para relações sexuais satisfatórias, exceto casos de micropênis —condição congênita caracterizada por pênis com menos de 5 cm de comprimento.
“Hoje sabemos que pênis acima de 5 cm conseguirá uma relação sexual satisfatória, então a harmonização raramente é necessária por indicação médica”, diz.
Além da harmonização com ácido, existem outras cirurgias estéticas mais invasivas e feitas em centro cirúrgico que podem proporcionar ganhos aparentes no comprimento do pênis, mas muitas ainda não têm uma técnica consolidada.
Existe a postectomia, que consiste na retirada da pele do prepúcio para tratar a fimose ou melhorar a aparência do pênis. Além disso, há a correção de curvaturas, realizada por meio de pontos e enxertos, como a técnica de Nesbit. Também é realizada a faloplastia, indicada para remover o excesso de pele entre o pênis e o escroto.
“Para casos de disfunção erétil, existe o implante de prótese peniana. Pacientes com pênis embutido podem passar pela liberação do ligamento para aumentar a mobilidade do órgão. Por fim, a lipoaspiração é usada para remover gordura da região púbica, aumentando o comprimento visual do pênis’, explica Cassão.
Para mulheres, há também harmonizações íntimas, que incluem procedimentos que melhoram a flacidez muscular interna da região pélvica, clareamento da região, correção de irregularidades e remoção de gorduras.